Resumo de “Sociologia alemã: a contribuição de Max Weber” de Cristina Costa

Resumo Sociologia Alemã: a contribuição de Max Weber

Em tempos de correntes filosóficas e da sistematização de ciências humanas, como a história e a antropologia, França e Inglaterra desenvolveram o pensamento social sob a influência do desenvolvimento industrial e urbano, que tornou esses países potências emergentes nos séculos XVII e XVIII e sedes do pensamento burguês da Europa.

O contraste entre o positivismo e o idealismo se expressa, entre outros elementos, nas maneiras diferentes como cada uma dessas correntes encara a história.
Para o positivismo, a história é o processo universal de evolução da humanidade, cujos estágios o cientista pode perceber pelo método comparativo, capaz de aproximar sociedades humanas de todos os tempos e lugares. Essa forma de pensar faz desaparecer as particularidades históricas, e os indivíduos são dissolvidos em meio a forças sociais impositivas.

Figura dominante na sociologia alemã com formação histórica consistente, Max Weber se oporá a essa concepção. Para tal autor, para haver compreensão das sociedades é necessária pesquisa história. Esta, por sua vez, baseada na coleta de documentos e no esforço interpretativo das fontes, permite o entendimento das diferenças sociais, que seriam, para Weber, de gênese e formação, e não de estágios de evolução.

O caráter particular e específico de cada formação social e histórica contemporânea deve ser respeitado. O conhecimento histórico, entendido como a busca de evidências, torna-se um poderoso instrumento para o cientista social.

Weber consegue combinar duas perspectivas: a história, que respeita as particularidades de cada sociedade, e a sociológica, que ressalta os elementos mais gerais de cada fase do processo histórico. O autor, entretanto, não achava que uma sucessão de fatos históricos fizesse sentido por si mesma. O método compreensivo, isto é, um esforço interativo do passado e de sua repercussão nas características peculiares das sociedades contemporâneas.

Segundo a perspectiva de Weber, o caráter particular e específico de cada formação social e histórica deve ser respeitado. O conhecimento histórico, entendido como a busca de evidências, torna-se um poderoso instrumento para o cientista social.

Seu objeto de investigação e a ação social, a conduta humana dotada de sentido, isto é, de uma justificativa subjetivamente elaborada. Assim, o homem passou a ter, enquanto indivíduo, na teoria weberiana, significado e especificidade. E ele que dá sentido à ação social, estabelece a conexão entre o motivo da ação, a ação propriamente dita e seus efeitos.

Para a sociologia positivista, a ordem social submete os indivíduos como força exterior a eles. Para Weber, ao contrário, não existe oposição entre indivíduo e sociedade: as normas sociais só se tornam concretas quando se manifestam em cada indivíduo sob a forma de motivação.

A tarefa do cientista é descobrir os possíveis sentidos das ações humanas presentes na realidade social. O caráter social da ação individual decorre, segundo Weber, da interdependência dos indivíduos. Um ator age sempre em função de sua motivação e da consciência de agir em relação a outros atores.

Max Weber e a sociologia alemã

Ao cientista compete captar, pois, o sentido produzido pelos diversos agentes em todas as suas consequências.
Weber distingue a ação da relação social. Para que se estabeleça uma relação social, é preciso que o sentido seja compartilhado. Pela frequência com que certas ações sociais se manifestam, o cientista pode conceber as tendências gerais que levam os indivíduos, em dada sociedade, a agir de determinado modo.

O cientista, como todo guiado por seus motivos, sua cultura, sua tradição, sendo possível descartar-se, como propunha Durkheim, de suas prenoções.

As preocupações do cientista orientam a seleção e a relação entre os elementos da realidade a ser analisada. Os fatos sociais não são coisas, mas acontecimentos que o cientista percebe e cujas causas procura desvendar. A neutralidade de Durkheim se torna impossível nessa visão.

Entretanto, uma vez iniciado o estudo, este deve se conduzir pela busca da maior objetividade na análise dos acontecimentos. Para a sociologia weberiana, os acontecimentos que integram o social têm origem nos indivíduos. Sua meta é compreender, buscar os nexos causais que deem o sentido da ação social. Um mesmo acontecimento pode ter causas econômicas, políticas e religiosas. Nenhuma dessas causas é superior a outra em significância. Todas elas compõem um conjunto de aspectos da realidade que se manifesta, necessariamente, nos atos individuais.

O tipo ideal, portanto, trata-se de uma construção teórica abstrata a partir dos casos particulares analisados. O cientista constrói um modelo acentuando aquilo que lhe pareça característico ou fundamento. Nenhum dos exemplos representará de forma perfeita e acabada o tipo ideal, mas manterá com ele uma grande semelhança e afinidade, permitindo comparações e a percepção de semelhanças e diferenças. Constitui-se em um trabalho teórico indutivo que tem por objetivo sintetizar aquilo que é essencial na diversidade das manifestações da vida social, permitindo a identificação de exemplares de exemplares em diferentes tempos e lugares.

O tipo ideal não é um modelo perfeito a ser buscado pelas formações sociais históricas nem mesmo qualquer realidade observável. É um instrumento de análise científica, numa construção do pensamento que permite conceituar fenômenos e formações sociais e identificar na realidade observada suas manifestações. Permite ainda comparar tais manifestações.

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