Cultura indígena e a divisão social do trabalho

Índios na divisão social de trabalho

O novo estado de divisão do trabalho é determinado, segundo Karl Marx, nas relações dos indivíduos entre si com referência ao material, instrumento e produto do trabalho. Segundo o autor, é somente com o trabalho industrial – especificamente no modo de produção capitalista – que se dá de fato a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual.

Na manufatura pré-capitalista, o trabalhador é explorado, mas não é isento do seu saber. O capital se apropria do trabalho, mas a alienação é apenas do corpo. Já no modo de produção capitalista (o trabalho industrial em sua essência), o processo de trabalho é desmontado pelo capital que o remonta à sua própria lógica. A alienação é então total. O trabalhador torna-se propriedade do capital.

Já na obra de Émile Durkheim, ‘Da Divisão do Trabalho Social’, o autor discute sobre dois tipos de consciências presente nos seres sociais como dois tipos de solidariedade: a consciência coletiva e a individual.

No caso da consciência coletiva, elas seriam predominantes nas sociedades primitivas. Todos os indivíduos que compõem uma sociedade neste estágio detêm as mesmas representações coletivas, as mesmas finalidades, compartilhando dos mesmos valores. O trabalho necessário para atender suas necessidades encontra-se parcamente diferenciado, ou diferenciado apenas entre os sexos. Neste estágio a consciência individual é nula ou quase nula. Nesta fase, podemos associar a configuração social do trabalho indígena ao trabalho de Durkheim.

Entre os indígenas não há classes sociais como a do homem branco. Todos têm os mesmos direitos e recebem o mesmo tratamento. A terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machado, arcos, flechas, arpões) são de propriedade individual. O trabalho na tribo é realizado por todos, porém há divisão por sexo e idade, assim como explicado por Durkheim em consciência coletiva. As mulheres são responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio. Já os homens da tribo ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores.

A coletividade é uma característica marcante entre os índios. Suas cabanas são divididas entre vários casais e seus filhos, como não havia classes sociais, até mesmo o chefe da tribo dividia sua cabana.

Duas figuras importantes na organização das tribos são o pajé e o cacique. O pajé é o sacerdote da tribo, é o conhecedor de todos os rituais e recebe as mensagens dos deuses. Ele também é o curandeiro, pois conhece todos os chás e ervas para curar doenças. Ele que faz o ritual da pajelança, onde evoca os deuses da floresta e dos ancestrais para ajudar na cura. O cacique, também importante na vida tribal, faz o papel de chefe, pois organiza e orienta os índios.

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